domingo, 23 de fevereiro de 2014

A Liberdade de Expressão

A cada dia me surpreendo com a forma com que alguns grupos insistem no absolutismo de suas ideias em detrimento das ideias alheias.

Hoje é o tempo da liberdade de expressão, da tecnologia da informação, da globalização. Por um lado, há a cultura dominante, historicamente polarizada nas tendências conservadora e moderna, que por sua vez são a cada dia mais difíceis de se delimitar.

Por outro lado, a liberdade de pensar e de agir de cada indivíduo, de forma personalizada, parece nunca ter sido tão intensa e tão poderosa.


Cada pessoa é um mundo. E pra que cada pessoa possa expor seus pensamentos em tempo real para bilhões de pessoas, iniciativas como um blog, um tuíter, uma rede social já são capazes de causar imenso impacto, à medida em que são visualizadas, curtidas e compartilhadas.

Mesmo assim, parece que há alguns que têm medo de se expressar... medo do julgamento, medo do preconceito, da exclusão social... e aí se enquadram em modelos ou constroem máscaras. Para numa vida dupla (ainda que, muitas vezes, apenas no mundo virtual) extravasar aquilo que seria reprovável para os que lhe são mais próximos. "O que esta gente faz em segredo causa até vergonha dizê-lo" (Ef 6,12)...

Melhor que defendam suas ideias e desenvolvam seus pensamentos com liberdade, pois só assim poderão alcançar a maturidade do pensar e o respeito devido. Quanto às ideias, não há nada melhor do que um bom debate para refiná-los, como ouro no fogo. Quando conduzido respeitosamente, sem preconceito e paradigmas, ninguém sai perdendo.

No século 18 Voltaire declarou, com grande sabedoria: "Posso não concordar com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo". Como um visionário, estabeleceu os pilares de um pensamento democrático e conquistador.

Se sua ideia é boa e bem fundamentada, porque não submetê-la à apreciação de críticos e permitir que seja questionada? Pode ser que seja aceita e você tenha conquistado um adepto. Ou seja rejeitada e, mediante autêntica troca de ideias, ela possa amadurecer e você possa revisá-la. Para, quem sabe, propô-la novamente de uma forma mais elaborada.

Mas não é isso que tem ocorrido em nossa sociedade. As pessoas perderam a capacidade de dialogar, de desenvolver um debate sincero, que gire em torno das ideias, e não das pessoas. Então, o que se faz? Se elaboram leis, para que essas ideias tenham que ser obrigatoriamente aceitas. Um retrocesso numa sociedade que se diz democrática.

Quantos temas têm sido conduzidos desta forma em nossa sociedade? A título de exemplo, é possível citar algumas das mais radicais. As recorrentes discussões a respeito dos direitos dos negros e dos homossexuais. A capacidade de diálogo foi destruída com a criação de leis que favorecem tal raça e condição sexual, assegurando a elas maiores direitos do que os de outras raças ou condições.

Os negros podem se manifestar livremente e os homossexuais também. Ainda que de forma agressiva e pejorativa. Sensíveis e delicados aos argumentos que lhes são feitos por parte dos que lhes são diferentes, impunemente podem retaliar os que os teriam ofendido. Pois não há leis que defendam os outros lados... As bruxas estão soltas!

As bases de uma democracia estão no diálogo, na retórica, na liberdade de expressão. No meu direito de defender minhas ideias, e do direito do outro defender as suas. No meu direito de me expressar dentro de minha própria casa e de ver meu líder religioso se expressar no templo em que congrego. Quando nada disso acontece, o estado democrático está em xeque.

Que não percamos o foco nos argumentos enquanto lapidamos nossas ideias e ideais, utilizando-as sempre visando o bem do ser humano, seja quem for. Uma ideia que não sirva a esse propósito não poderá se manter, ainda que sob o título de lei.
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