domingo, 20 de abril de 2014

Comunhão Santa

Quinta-feira Santa perto do fim. Para quem vem de família mais tradicionalista, mais conservadora nos princípios católicos, não tem como não começar, nos dias de hoje, com gosto de nostalgia... O que antes era mais solene, mais intenso e mais festivo agora é quase um dia comercial como qualquer outro.

A Quinta-feira Santa era dia de mesa farta. Era dia em que as famílias se reuniam em torno ao patriarca e se deliciavam com a presença mútua e com alguns pratos que praticamente só se via naquele dia: bacalhau, feijão de coco, quibebe... muita coisa deliciosa.

Quem vivia aquele contexto sabia as razões da festa. Era dia Santo, era dia de alegria. O seu Deus, feito homem, tinha instituído a Eucaristia. Ele mesmo havia se reunido com seus amigos mais próximos em torno a mesa pra dar um verdadeiro significado à palavra comunhão. E mais tarde, na cruz, tornou sagrada a comunhão com o verdadeiro sentido da palavra sacrifício. Tudo passou a fazer sentido, inclusive nossas próprias vidas.

As pessoas perderam o significado do sagrado. Não raramente, escuta-se na Quinta-feira Santa alguém dizendo: "Eita, hoje é dia de comer peixe, não pode comer carne". Sabe tudo...! Não, não sabe. O preceito de não se comer carne é a Sexta-feira Santa, quando também se faz jejum de qualquer guloseima. Na quinta-feira as pessoas comem peixe por que querem. Também é uma forma de se fazer referência a Cristo, mas não há preceito para isso. Pode comer carne sim.

Essa Quinta-feira é dia Santo. Mas não é feriado. Os mais antigos, como já foi dito, reuniam as famílias. Improvável que hoje ainda se consiga manter essa tradição. Tornou-se um dia como qualquer outro - aliás, como qualquer outro não, como uma véspera de feriado. Véspera de feriado não, véspera de Dia Santo.

Na Sexta-feira muitos estarão nas casas de praia ou de campo. Descansando. Alguns dirão ainda que, ao seu modo, já vivem ou viverão sua Via Crucis nesse dia. Mas o fato é que a Comunhão, com C maiúsculo, em torno do Cristo e dos demais fiéis numa única fé, não terá persistido, exceto no imaginário ou numa remota intenção...
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