sábado, 4 de abril de 2015

O inferno são os outros

Ainda quando era estudante primário, me lembro de conhecer uma dinâmica onde eram postos uma série de estereótipos num contexto onde haveria uma explosão fatal e existiria um abrigo onde nem todos poderiam entrar, e caberia a você escolher quem poderia ou não entrar. Talvez houvesse um político, um negro, um obeso, um idoso, um pedófilo, um homossexual, um argentino. E aí, você não poderia salvar todos, mas teria que escolher três e dizer por que os escolheu.

Essa dinâmica não é fácil, pois não existe opção certa e não existe opção errada. O que existe é o fato de que você fará escolhas baseada em seus próprios critérios e que não poderá fugir dos seus preconceitos. É isso, ou deixar que todos morram.

Mas o fato é que no dia a dia, mesmo muito longe dessa dinâmica de grupo, estamos o tempo todo fazendo nossas escolhas. Sempre que possível, escolhemos com quem queremos conviver.

Não obstante a isso, alguns sobreviventes teremos que aturar. Aquele colega de trabalho, aquele vizinho, aquele primo... Ou vamos ter que aturá-los no abrigo ou então saímos nós e nos rendemos à destruição, fugindo a vida inteira.