sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A difícil tarefa de amar


De perto, de perto mesmo, todos nós somos insuportáveis.
É por isso mesmo que para tantas pessoas o silêncio ou a solidão pode se tornar uma tarefa igualmente insuportável.
Isso só não ocorre quando há amor, porque o amor suporta todas as coisas. Ainda que seja o amor próprio.

Em algumas circunstâncias, é possível encontrar quem também se envolva de amor para também nos suportar. Alguém que consiga, com as lentes do amor, perceber nossas maiores virtudes; admirar aspectos em nossa personalidade que nós nem sabíamos que existiam.

Quando isso ocorre, a pessoa encontra vontade, desejo e força para assumir uma responsabilidade das mais difíceis: ficar ao nosso lado na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-nos e respeitando-nos.


Só que o tempo passa e as pessoas mudam. O astral, a saúde e os recursos oscilam. E manter o amor e o respeito nessas estradas da vida pode se tornar tarefa impossível se os dois, embora juntos, tornarem-se estranhos um ao outro.

É preciso crescer juntos; orgulhar-se do outro e deixar que o outro se orgulhe de nós. É preciso admirar o outro e deixar que o outro nos admire. Não perder o vínculo da união.

Mesmo quando as palavras parecem ter se esgotado, por não parecerem mais necessárias, é preciso manter-se atento ao que se passa no coração do outro: suas palavras, seus sentimentos, seus anseios, suas vicissitudes, seus sonhos e frustrações; não importa quanto tempo já se passou: um, dez, ou cinquenta anos.

Não significa apenas olhar nos olhos do outro, mas ter a segurança de que ambos estão, de mãos dadas, olhando e seguindo na mesma direção.
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